Marina Abramovic, entrevista no Estadão

Marina diz sobre a sua escolha do local para a sua instalação do instituto MAI

” ‘Exatamente o retrato do Sesc Pompeia”, onde ocorrerá. “Fui a diferentes museus daqui, à Pinacoteca, ao Museu de Arte Moderna, ao museu de filmes (MIS), mas eles estão quase sempre vazios. No Sesc, não, pessoas de todas as gerações adoram ir àquele lugar. (A arquiteta) Lina Bo Bardi fez um lugar muito especial, e eu apenas preciso chegar e agir’ ”

“Terra Comunal será um ‘laboratório’, explica ainda Marina”

“Grupos de 96 participantes poderão experimentar, por 2h30, os exercícios do ‘Método Abramovic’ e conhecer seus Objetos Transitórios criados com cristais brasileiros. Mais ainda, artistas brasileiros convidados pela sérvia e pelas cocuradoras Lynsey Peisinger e Paula Garcia vão performar durante a mostra, sem dizer que a própria Marina ministrará, até maio, série de palestras. “Se o Sesc já tem vida, daremos muito mais vida ao local”, completa ela”

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“Como ser radical hoje?

Não é fácil. Sempre quis conhecer jovens artistas, mas não me comprometer. Você vê uma tendência atrás da outra e depois, uma cópia atrás da outra. Você tem que seguir a sua própria linha. Adoro o que Woody Allen disse uma vez: ‘Hoje sou uma estrela, amanhã, um buraco negro’. A sociedade não é linear. Há altos e baixos e você tem de entendê-los e continuar a fazer o que acredita.”

(Sabe o que é mais curioso, ontem meu professor estava falando que nós Designers temos que aprender a não trabalharmos em conjunto com a linearidade, coisa que é difícil pois fomos ensinamos pelos parentes e escolas a sermos assim, a sermos regidos pela continuidade fixa, o que não é a realidade; coisa que meu professor e agora a Marina afirmaram. Porém, acho que não só os Designers e ramos do gênero deveriam agir assim, devia ser algo mais abrangente a todas as áreas.)

O Instituto Marina Abramovic foi criticado por convocar voluntários.

Adoro falar sobre isso. Além de colocar todo o meu dinheiro no instituto, de todas as diferentes vendas que fiz em diferentes galerias, tenho cinco pessoas na minha lista de pagamento. Fizemos um pontapé inicial de US$ 600 mil, há dois anos, para que os arquitetos (do escritório do holandês Rem Koolhaas) criassem um plano arquitetônico. Todo centavo desse pontapé foi para pagar os arquitetos. Para isso, fiz todo tipo de recompensas – olhei as pessoas nos olhos pelo computador, abracei pessoas por US$ 1, todo tipo de coisa por um ano de meu tempo. Dessa maneira, chamamos voluntários como forma de criar mais espaço para trabalhar. Por que ninguém critica a indústria da moda, com seus escravos?”

 

Escrito por  Camila Molina em 07 Março 2015 | 16h 00

Comentado e repassado por mim, Flávia Passarelli

(http://cultura.estadao.com.br/noticias/artes,marina-abramovic-abre-em-sp-a-retrospectiva-experimental-terra-comunal,1646085)

O Instituto de Marina Abramovic

É clara linha entre a Arte e o Design, mostra como precisamos usufruir mais de nossos sentidos, de saber melhor manusear o tempo gasto no dia-a-dia e a ganhar experiência.

“Arte tem que ser perturbador, a arte tem de fazer uma pergunta, a arte tem que prever o futuro.” – Marina Abramovic

v – “A coisa mais importante é aprender a amar incondicionalmente. E essa é a coisa mais difícil de se fazer.”

O instituto, sediado na cidade de Hudson, New York estava com a programação preparada para abrir as portar no ano passado, 2014, e a primeira versão a ser apresentada, fora dos EUA será mês que vem! Em são Paulo. Mais exatamente 10 de março até 10 de maio no SESC Pompeia. Porém, Marina se encontrará com o público no Teatro nos dias 11 e 25 de março e dia 1º, 2, 8, 15, 22 e 30 de abril.

A exposição leva o nome de Terra Comunal, “Abramovic tem desenvolvido uma série especial de objetos transitórios para os visitantes a interagir com através de três posições básicas do corpo: de pé, sentado e deitado. Os objetos são cadeiras, bancos, camas e travesseiros feitos de uma combinação de madeira e cristais brasileiros (…) Cada um dos objectos tem as suas propriedades energéticas particulares. Além dos objetos, o público vai passar algum tempo andando em câmera lenta, desacelerando o corpo, respiração e pensamento, a fim de realmente estar presente na ação.” [http://www.mai-hudson.org/terra-comunal]