Sinto, penso, logo… Desenho.

Um breve estudo

Tomei como rédea este artigo no meio de outros meia dúzia selecionados, pois achei conecções entre a matéria estudada em sala de aula (História do Design – segundo semestre de 2014), tendo então uma melhor compreensão do assunto. Já dizia Carlos Monteiro, em suas aulas de Filosofia, que para um bom estudo de um assunto, é necessário a compreensão dos fatores exteriores; conecções com o próprio ser humano em relação aos objetos, suas percepções e por fim, do Designer com o avanço tecnológico.

No artigo, que também intitula este texto, Dr. Antônio M. Fontoura diz que o Design é uma atividade interdisciplinar, o que de fato o é, pois caso contrário não teria citado as conecções citadas. O Designer estabelece relações com a ciência e a arte (…) encontra-se entre a razão e a emoção diz ele. Como tudo existente passou e passa por transformações, o Design teve suas fazes.

Um bom exemplo da razão é o ponto de vista do arquiteto citato no artigo, Hermann Mutheusius, que defendia a padronização, o uso da produção em massa e a mecanização; características da era industrial que cresceu rapidamente, porém, Fontoura era a favor da qualidade do produto e apoiava o Arts and Crafts.

O exemplo da emoção vem do arquiteto pioneiro da Bauhaus, Henru Van de Velde, ele, que era um dos principais representantes do Art-Nouveau, defendia a preservação da expressão artística individual.

As discordâncias permaneceram mesmo com o avanço da tecnologia de produção, de novas ferramentas de trabalho e dos pensamentos. Uma delas sempre sendo conservadora, como Max Bill, defensor da tradição Bauhausiana e das relações do Design com a arte; e outra sempre inovadora, como a de Tomás Maldonado, defensor da tese de que o Design teria uma estreita relação com a ciência e com a tecnologia.

Apesar de tudo, na época Moderna ainda tomava como rumo a época dos Físicos de Mileto e Platão, o pensamento filosófico e sua crença na razão e no racionalismo que tentam explicar o sentido e o significado das coisas.

Esta aproximação, da ciência, deu-se pela utilização de métodos rigorosos de projeto e pela inclusão de disciplinas científicas na formação dos designers, diz Fontoura, como a Cibernética, a Heurística, a Psicofísica, entre outros; colaborando com o funcionalismo da área, defendendo o conforto do corpo.

A Partir da era Pós-Moderna, as ideias Iluministas prosseguem, porém, com questões sociológicas, preocupando-se com o conforto do espírito.

Isto foi importante para o Design, pois permitiu a abertura para discuções mais amplas sobre o problema da estética e da semântica da produção Industrial.

Fontoura cita também que o pluralismo e a simultaneidade passaram a ser duas constantes no campo do Design, pois da globalização, surge a necessidade de se comunicar com culturas e línguas diferentes. Assim como os novos pensamentos; movimento feministas, igualdade social, a necessidade de sair do padrão e adquirir o reconhecimento de indivíduo.

“Existe uma associação entre identidade de uma pessoa e os artefatos que ela opta em usar” (Canclini, 1997, p.115). Jamais foram elementos opostos às ciências neurobiológicas (anatomia e fisiologia) e as reações químicas do corpo, afirmando a frase a cima; é o porquê de um indivíduo usar os artefatos que usa.

O designer deve conhecer mais sobre as influências da condição humana, afirma Fontoura em seu artigo, agora expondo o ponto de vista do pesquisador Antônio Demásio, pois são elementos fundamentais para o pensamento racional e para a tomada de decisões, ou seja, os sentimentos exercem uma forte influência sobre a razão.

Porém, não significa dizer que a razão ou o pensamento racional sejam menos importantes, pelo contrário, ao reconhecermos as funções das emoções é possível realçar seus efeitos positivos e reduzir seu potencial negativo.

Para Damásio, as emoções são definidas como respostas químicas e neurais, como por exemplo, uma expressão facial (sempre dirigidas para o exterior); e os sentimentos (que fazem parte da esfera privada e mental do indivíduo), como a timidez.

Outro estudioso sobre o tema, Edward de Bono, licenciado em psicologia e fisiologia, e seu estudo sobre o termpo “Pensamento Lateral” (1997); diz que é uma forma de entender as situações e seus efeitos/causas, pois o mesmo (os sentimentos) não é estável, o mundo vive em mudança e as causas e efeitos podem variar. Ele demonstra como é possível palavras de incentivo e reconhecimento podem alterar a percepção de uma situação e das sensações associadas a ela essência de um sentimento que é caracterizada pelo processo de viver uma emoção.

Ou seja, o pensamento tradicional, dito por Bono, que é baseado em situações padrão e soluções-padrão, não é funcional, já que “existimos e depois pensamos, e só pensamos na medida em existimos” (Damásio).

Todo esse raciocínio que foi se desmembrando ao longo desse estudo, resultou, para a minha pessoa, que o designer sempre deve estar atento a todas as possibilidades de se criar algo e tudo o que pode vir a ser concluído pelos outros, agora e futuramente.

O Artigo mostrou uma certa parcela da evolução do conhecimento, e assim, como todas as informações que absorvemos, não devemos ignorar as novas e velhas propostas por serem muito radicais ou ultrapassadas para criarmos nossas próprias percepções. Devemos estuda-las, melhora-las e apropria-las ao adequado. Claro que descartar algum conhecimento não é algo inválido (Descartes, Discurso do Método, p. 24-27).

Prosseguindo então, sempre para a grande teia que são os estudos.

 

Texto original de Fontoura, Antônio M.,

“Sinto, penso, logo… Desenho”

(em) Revista ABCDesign

http://www.abcdesign.com.br/por-assunto/teoria/sinto-penso-logodesenho/

 

Estudos sobre o texto por

Flávia Passarelli

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